13.5.17

Xuxa Meneghel lança sua nova linha de esmaltes de unha pela Foup





Toda mulher se rende aos esmaltes, quem pode lança sua coleção e quem não pode compra a coleção das famosas né ?

Xuxa vem chegando com essa coleção fofissima pela Foup que trouxe pra vocês conhecerem.

São 24 cores, divididas em duas coleções – Cremosos (com 16 cores) e Perolados (com 8 cores) – escolhidas especialmente para celebrar a vivacidade, a energia e o entusiasmo que as mulheres carregam em seu dia a dia. 




Este lançamento trás um vidro exclusivo de 10 ml’s, acompanhado do pincel FLAT (que já virou paixão internacional), e é claro, do tradicional “X” da Xuxa estampado no vidro.

Mas a novidade não para por aqui, a tampa deste esmalte inova o quesito embalagens. A invenção possibilita a entrega de um brinde a cada unidade. Desta vez, cada vidrinho de esmalte da Xuxa trás uma “mini jóia“, para colecionar – sem sorteio ou promessas.



Basta quebrar o lacre da tampinha e descobrir qual o presente que você ganhou. Para cada cor, uma mini jóia diferente.



Os esmaltes Xuxa Meneghel podem ser encontrados nas melhores perfumarias do Brasil pelo preço médio de R$ 7,00.


Release enviado pela assessoria da marca.

10.5.17

A dor da vida : A gente se acostuma




Essa semana, um amigo que acompanha de verdade meus altos e baixos me marcou em um vídeo no Facebook. Ao chegar na publicação me deparo com esse tesouro escrito por Marina Colasanti (1972) e interpretado por ninguém menos que Lorelay Fox. É textão sim, mas vale apena, e pra quem tem preguiça de ler da play no vídeo, garanto que vale muito apena. Fica como reflexão dos nossos dias. 

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas.
E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.
E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da sua longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagar mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.
A abrir as revistas e ver anúncios.
A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial que fica tremendo.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
À contaminação da água do mar.
À lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e do tiro, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti (1972)
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